Acordes do Cotidiano

Não posso passar imune a vida. Ela me atravessa em todos os sentidos. Encontro aqui uma forma de expressar o que filtro do mundo: Poesia como língua mãe e música como retórica do coração!

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Você aqui

Eu queria ter você aqui:
Para me receber, para me comer, para me condenar
Para me ver sofrer e se compadecer, para solucionar
Eu queria ter você aqui:
Para me reaver aquele padecer, para me resguardar
Para me dar prazer, para me conhecer, para me desvendar
Eu queria ter você aqui:
Para me proteger, pra me surpreender, para se apaixonar
Para me emudecer de tanto te querer, para me anventurar...


sábado, 16 de janeiro de 2010

De Bruce Lee a Kurt Cobain

Eu quis voar acordado,
Porque em sonho é fácil, mas acordado...
Porque não pode?
Então tive que aprender a falar
E eu perguntava, e eu perguntava...
E a resposta me fazia perguntar de novo
E eu brincava, e eu brincava...
E eu não dormia e eu não comia,
Porque não pode?
Não pode é a minha mãe saber tudo.
Então quem sabe?
O Bruce Lee sabe, ele dá até mortal,
A minha mãe não dá mortal,
Mas o meu Pai é mais forte que o Bruce Lee!
Ah então meu Pai sabe:
Pai, porque saudade?
Porque a gravidade, porque bandido e polícia?
Porque a morte, porque a vida?
Porque sereia, lua, hospital, porque sinal?
Porque trabalho, dinheiro, banheiro?
Porque vergonha, piru, xoxota, cu?
E nem ele sabia e ninguém respondia,
Vovô, Vovó, Dindo, Dinda, titia...
Ficou só a TV e eu
A TV tinha tempo de falar muito tempo.
E o que para mim era resposta eu repetia:
Vídeo, Coca-cola, compre-batom, Monange,
Brastemp, Cenas do Próximo Capítulo...
Tudo eu queria ter,
Tudo eu já quis ser:
Bruce Lee, Vandame, Shuazeneguer, Super-Homem,
Batman, Changeman, Lionman, Ultraman...
E todos os melhores tipos de man.
Mas nunca vinha resposta,
Nenhum sábio chinês apareceu!
Merda, Porra, Caralho, Se fudeu!
Comecei a voar,
Da Janela para o chão, no sofá, no colchão,
E gritei e berrei e briguei e xinguei,
Com a Mãe, com o Pai, com o ar, com ninguém.
Então será assim,
Então assim será,
Até que eu vi um cara na TV a me imitar:
Que língua que ele fala?
Então não sou só eu?
Kurt Cobain é o cara,
Kurt Cobain é como eu!


sábado, 9 de janeiro de 2010

Constante

Já tentei meditar e gritar e cantar e escrever
E falar com as paredes e as portas
E os homens que passam apressados na rua
E lua que não me responde e aumenta a tensão
De não ser não saber não poder me mover na tua direção
Ou qualquer direção que eu escolha
Ou qualquer estação que eu pise
De metrô ou de trem ou de ônibus ou num hangar
Pra voar pra sumir pra partir pra esquecer
Pra sonhar com os contos de fada
Pra pintar no painel do presente
Somente sorrisos e flores crianças amores possíveis
Já tentei te explicar de milhares de formas
Te poupar te iludir te seguir te morder te varrer da cabeça
E lutar raptar seqüestrar te anular te querer dizer sim dizer não
Me calar me afastar me ferir me fuder
Me morder pra saber se é verdade
Esta grande viagem loucura desordem
Saliva e gozo e suor e amor e paixão
Esta coisa que não teve nome e ainda não tem e não sei se terá


terça-feira, 5 de janeiro de 2010

A vida segue

A vida segue,
A despeito dos relógios, das catástrofes e dos amores que acabam.
Segue seu curso, a vida.
Plena em seus fragmentos de enganos,
Certa.
Sempre correta, a vida,
A despeito dos quereres, das novenas e das superstições.
Ela segue de braços dados com o efêmero,
A vida joga com a gente e não pára,
Ela tira nos dados a sorte dos destinos
E Embaralha os egos como cartas,
Nada somos!
Quando nos desesperamos, ela segue.
Quando nos felicitamos, ela segue.
Quando não queremos que ela siga, ela segue.
A vida passa e arrasta consigo tudo o que consideramos eterno,
Tal como o infinito,
Este rio caudaloso e constante que arrasta certezas.
Com o Rio, passará a minha vida,
Passará a sua vida,
Passará este conjunto de palavras,
Passará a metáfora,
Passará esta língua...
É a vida a seguir,
É o rio,
É o jogo,
É a vida passando,
Passando,
Passando...


sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Como frear?

Como frear a vontade que invade e não pede licença?
Como ignorar o que nos faz rasgar a roupa?
Não me digas que tu não tens febre na lua cheia,
Não creia que seja possível dar de ombros ao invisível:
O inalcançável é o que nos faz agir,
O inexprimível o que nos faz falar
E o intangível o que nos faz ver!
Mulher não ha erro no amor,
Nem razão que explique a dor.
Meu verbo é querer e eu não abro mão dos estragos,
Afagos eu dou de graça e sem culpa!
Não há nada de cérebro na saciedade da fome,
A boca que come não quer saber do nome, enquanto mastiga!
Amiga, me invada a parte mais íntima do peito,
Eu peço com todo respeito,
Estupre-me de um jeito carinhoso?
As cruzes dirão que não, eu sei,
E todas as freiras e padres,
É que eles não sabem, pois escondem o calor das pernas,
Mas nós temos pernas à mostra e muito calor nelas.
Não sejamos ignorantes das relatividades,
Pois assim se dá com a frouxa fidelidade!
Mulher, somente seja, somente ame,
Somente esteja ao meu lado.
Eu ainda não cobro,
Por enquanto, os afagos, eu dou de graça!


quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Lentes de amor

A paz de um fim de tarde,
Pássaros narrando o horizonte lilás,
A inconfundível melodia do encontro do último fio de água salgada, com o último fio de areia...
A voz dos ventos nos cabelos,
Os pés marcados de chão,
A nobre solidão no cosmos,
Os acordes do pensamento...
Há somente uma explicação:
Pus lentes de amor diante da minha visão!


sábado, 19 de dezembro de 2009

Planos pro futuro

Brinco de fazer com as nuvens,
Planos pro futuro.
E somente com as nuvens eu brinco,
Pois se acaso fosse mais densa a matéria,
Mais próximo de alguma realidade eu estaria.
E isso eu não quero!